Blog de anarquista380


15/11/2006


 O Estado e a Anarquia 
 
 

                                                

                                                               O Estado e a Anarquia
 
 
 O que é o Estado? O que é a Anarquia?
 
  O Estado é um espaço territorial, onde vigora dentro dele uma vida "social" onde pessoas podem viver "livremente",  "produzindo" para ter o seu "sustento", fazendo com que tenha uma vida econômica. Com isso, o Estado lhe """garante"""  "moradia", "bem estar" e "lazer". Para ter isto do Estado a pessoam TEM(é obrigada) que pagar impostos e obedecer suas leis.
  A Anarquia por sua vez, é uma idéia que não tem Estado, ou melhor, não depende do Estado.
  A Anarquia procura tentar ajudar as pessoas mutuamente, independente da crença, da cor ou nacionalidade da pessoa. As pessoas produzem, mas produzem para o seu bem. E, se as pessoas sentem uma outra pessoa em más condições, ajudam-as, fazendo uma ação direta, e não dependem de um Estado pra fazer isto. A Anarquia tem leis, mas são leis de benefício, não visam interesses econômicos, visam solidariedade.
 
 
  Hoje, existe um grande preconceito em relação a filosofia anarquista. Ao longo do tempo existiram várias ramificações do anarquismo, e esta ramificações que começaram a criar lendas errôneas do anarquismo. Na verdade, foram alguns movimentos anarquistas que criaram toda essa polêmica. Muitos desses movimentos eram violentos e desordeiros, e sempre levavam a bandeira anarquista, então, tudo que era considerado anarquista era sinônimo de bagunça.
  Muitos não aceitam de forma alguma a filosofia anarquista, acham que será um estado de caos e desordem, mas nunca tentaram entender o que é realmente a Anarquia ditada pelos seus primeiros filósofos.
  O fato de uma pessoa fazer uma atitude, uma grande ação que beneficie várias pessoas sem precisar da ajuda ou do aval do Estado, pode ser considerada um ato de anarquia.
  Mas, as pessoas não têm essa consciência, não buscam as informações apenas querem pré-julgar.
 
  Ao longo do tempo as pessoas irão entender, ou pelo menos tentar. A Anarquia não é um mal para a sociedade é apenas uma idéia que tenta ajudar as pessoas de alguma forma, direta ou indiretamente.
 
 
 
 
 
 texto escrito por Everson Cilos Vargas
14/11/06

Escrito por anarkista às 13h02
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05/10/2006




 

CHE GUEVARA ERA GAY?

 

 



Ernesto Guevara de la Serna, conhecido pelo nome de "Che", nasceu em Rosário, na Argentina, a 14 de junho de 1928 e morreu a 9 de outubro de 1967, perto de Higueras, na Bolívia. Nos anos 50, estudou a reforma agrária feita pela Bolívia. Formou-se em Medicina em Buenos Aires, em 1953. Quando estudante do referido curso, participou de atividades políticas ao mesmo tempo em que trabalhava num leprosário de Buenos Aires. Após viajar por vários países latino-americanos, foi viver na Guatemala, a qual estava sob o governo revolucionário de Jacobo Arbenz. Com a queda deste governo, em 1954, Guevara exilou-se no México. Lá, ligou-se aos cubanos Fidel e Raúl Castro que preparavam a invasão de Cuba. Che Guevara participou do desembarque guerrilheiro na província cubana de Oriente, em novembro de 1956. Foi ferido num dos primeiros combates. Em breve tinha o grau de comandante. Em janeiro de 1959 entrou em Havana, vitorioso, ao lado de Fidel Castro. Tornou-se cidadão cubano, e até 1965 ocupou importantes cargos no governo: diretor do Instituto de Reforma Agrária, presidente do Banco Nacional, ministro da Indústria e chefiou diversas missões políticas e econômicas ao exterior. Desde 1962 Che Guevara defendia a idéia de que a consolidação da Revolução Cubana, que ele considerava uma revolução anti-imperialista da América Latina, dependia de sua extensão a todo o continente. Pensando assim, ele deixou Cuba para organizar guerrilhas na América Latina. Acreditava que a revolução socialista não podia vingar senão pela luta armada. A última aparição pública de Guevara em Cuba ocorreu em março de 1965. Por algum tempo constou que havia rompido com Fidel Castro, e davam-no combatente no Congo ou no Vietnã. Em janeiro de 1966 foi lida uma mensagem sua à Conferência Tricontinental, reunida em Havana, e em outubro Che é visto na Bolívia, onde foi morto em 8 de outubro de 1967. O seu pensamento político foi exposto em várias obras escritas. Deixou ainda um diário dos últimos tempos na Bolívia.

Escrito por anarquista380 às 04h04
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Esse pequeno texto irá lhe mostrar o verdadeiro significado da palavra "ANARQUIA".


Você sabe o que quer dizer Anarquia?

Ao contrário do que todos pensam Anarquia não quer dizer bagunça, a palavra "ANARQUIA" provém do grego, que significa "sem governo", isto é, o estado de um povo sem uma autoridade constituída. Anarquia trata-se de uma corrente de pensamento que prega o fim de toda forma de poder. Defende uma sociedade organizada de modo voluntário, sem o uso da força ou imposição de obrigações. Os Anarquistas acreditam que o ser humano tem total capacidade de se auto-governar. São contrários a opressão feminina e lutam pela diminuição da jornada de trabalho e o fim do trabalho infantil. Para os Anarquistas, o Estado é culpado da miséria e da pobreza na sociedade. O Anarquista prega que a igualdade e a justiça só serão implantadas pela a extinção do Estado e sua substituição por livres acordos entre indivíduos. Essa ideologia surgiu no final do século XIX, e chegou ao Brasil com os imigrantes europeus, entre 1889 e 1930, era predominante no movimento operário que defendia a organização sindical autônoma, a extinção do Estado, da Igreja e da propriedade privada. Além disso, os Anarquistas são contrários a qualquer atuação político - partidária. Espero que esse pequeno texto tenha mudado um pouco sua visão sobre o assunto, ou aumentado ainda mais o seu conhecimento sobre o mesmo. Obrigado por sua leitura, e volte sempre!!

Escrito por anarquista380 às 04h01
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Desobediência: a Virtude Original do Homem


Pode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade.Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram que a caridade é uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo. Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido. Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é algo grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.


Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Não! Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender um homem que aceita as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade. ntretanto, a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralizante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da comunidade totalmente satisfeito com a situação em que vivem e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria. A abolição da escravatura na América não foi uma conseqüência da ação direta dos escravos nem uma expressão do seu desejo de liberdade. A escravidão foi abolida graças a conduta totalmente ilegal de agitadores vindos de Boston e de outros lugares, que não eram escravos, não tinham escravos nem qualquer relação direta com o problema. Foram eles, sem dúvida, que começaram tudo. É curiosos lembrar que dos próprios escravos eles recebiam pouquíssima ajuda material e quase nenhuma solidariedade. E quando a guerra terminou e os escravos descobriram que estavam livres, tão livres que podiam até morrer de fome livremente, muitos lamentaram amargamente a nova situação. Para o pensador, o fato mais trágico da revolução francesa não foi o de que Maria Antonieta tenha
sido morta por ser rainha, mas que os camponeses famintos da Vendée tivessem concordado em morrer defendendo a causa do feudalismo.

Escrito por anarquista380 às 03h57
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Mikhail Bakunin (1814 - 1876)biografia




Bakunin, o mais brilhante entre todos os anarquistas, pertencia a uma rica família de proprietários de terra na Rússia. Alguns membros da família de sua mãe tinham participado do levante decembrista de 1825, mas de início a rebelião de Bakunin teve caráter filosófico, quando ele descobriu Hegel e Fichre. Foi Herzen que iniciou a sua conversão as radicalismo e mais tarde, em 1843, quando completava seus estudos filosóficos na Europa, ele se tornou um revolucionário graças à influência de Wilhelm Weirling e Proudhon.
Durante os anos de 1848-1849, tomou parte ativa nas rebeliões que ocorreram em Paris, Praga e Dresden; capturado após o fracasso da rebelião de Dresden, esteve preso em prisões da Saxônia e da Áustria, tendo sido entregue posteriormente à polícia do Czar. Depois de um longo período de internamento na fortaleza de Pedro-e-Paulo, onde o escorbuto provocou a perda de seus dentes, foi enviado para a Sibéria, conseguindo mais tarde fugir para o Japão e de lá, para os Estados Unidos e Europa.
Participou de uma fracassada revolta na Polônia e, tendo abandonado definitivamente suas idéias pan-eslávicas, desenvolveu uma série de teorias anarquistas e fundou uma organização política secreta, a Aliança da Social Democracia. Em 1868 juntou-se à Internacional e liderou a corrente que se opunha a Marx; foi oficialmente expulso da Internacional em 1872, mas muitos membros oriundos da Itália, Espanha, França, Bélgica e Suíça saíram com ele, fundando uma organização independente, a chamada Internacional St. Imier. Na década que se iniciou em 1870 Bakunin tomou parte nas revoltas de Lyon e Bolonha, acabando por morrer em Berna, onde foi sepultado.
Sua obra escrita é vigorosa mas muito mal organizada; o próprio Bakunin confessou a Herzen que não tinha qualquer noção de arquitetura literária, e só muito raramente conseguia concluir qualquer trabalho mais longo do que um artigo. Era um ativista e talvez a sua mais importante contribuição à causa tenha sido como fundador do movimento anarquista histórico, que acabaria com a destruição das organizações anarco-sindicalistas espanholas em 1939.


Escrito por anarquista380 às 03h54
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FRANK ZAPPA: FUNDAMENTOS DA ANARQUIA
Floriano Martins

 

Zappa1.JPG (25326 bytes)A alguns anos de sua morte, parece-me pertinente falar aqui daquela que talvez seja, ao mesmo tempo, a mais radical e consistente aventura do cenário da hoje chamada música pop. Refiro-me à grande virtuose da guitarra que foi Frank Zappa. Crescido no seio romântico de uma geração de cronistas dos estertores do grande festim da civilização industrial, Zappa foi mais do que uma simples estrela do rock. Exemplar é o fato de não haver desviado o curso de sua música, não caindo no ardil das veredas orientalistas ou nas tentações do vultoso mundo dos negócios da arte.

Sua irreverência, seu espírito anárquico, jamais permitiu que confundisse o lugar que ocupava como músico experimental com a débil instabilidade reinante no palco pop. Nem mesmo se permitiu ser atropelado pelos rumos de uma anarquia inócua. Radicalizou a construção de uma crítica extremamente sagaz ao american way of life, através de um estilo satírico evidenciado não somente pela poética como também pela própria ambientação gestual de suas performances. Abominou sempre toda forma de alienação. Disse em uma entrevista: "Uma anarquia só tem fundamento no seio de um povo integralmente culto e civilizado".

Questionou duramente a juventude drogada dos anos 70, os fantasmas evanescentes do power flower. Além das constantes declarações e performances, há todo um disco (We’re only in it for the money) em que defende suas posições sobre a debilitação da juventude através de canções emblemáticas, a exemplo de "The idiot bastard son", há poucos anos incluída por Sting em uma tornée registrada em disco. Em We’re only in it for the money, Zappa investia duramente sobre a família americana, responsabilizando-a pela idiotização de seus filhos.

A formação musical de Frank Zappa prima tanto pela multiplicidade quanto pela complexidade. Despertou-lhe a atenção a música eletrônica e as modulações absolutamente livres do jazz. Além disto seu espírito satírico iria encontrar no teatro do absurdo uma grande fonte de diálogo. Tal influência foi bastante frutífera Zappa2.JPG (17997 bytes)na montagem de seus espetáculos e na própria concepção dos infinitos diálogos entre personagens de muitos de seus discos, resultando sempre em uma burlesca teatralização de sua poética.

Por trás de toda aquela atmosfera underground e psicodélica, geralmente atrelada a uma debilidade estética, Zappa buscava o que ele mesmo definia como "um controle consciente dos elementos estruturais e temáticos que fluem em cada disco, em cada concerto e em cada entrevista". Para tanto teria que traçar uma poética. Defendia também que as palavras poderiam "ser empregadas da mesma maneira que os instrumentos". Uma resultante radical dessa sua concepção operística foi a partitura de 200 motels (1970), que reunia a polêmica banda Mothers of invention ao lado da Filarmônica de Los Angeles, em concerto regido por Zubin Metha.

A partir daí, Zappa, que contava então com nada mais do que 21 anos de idade, desenvolveu várias obras para orquestra, ao lado de largas partituras executadas pela própria banda e suas experiências mais insólitas ligadas diretamente à música eletrônica. Certa vez declarou que Edgar Varèse foi a mais evidente de suas influências. Talvez a complexidade dos acordes característicos da música de Zappa atestem tal reconhecimento. O fato é que sua extravagância rítmica não encontra equivalente no caldeirão difuso da chamada música moderna.

Seja pela multiplicidade de experiências sonoras que buscou, seja Zappa3.JPG (21508 bytes)pela consciente mordacidade de sua poética, a obra de Frank Zappa – sua discografia praticamente atinge a casa de 100 registros fonográficos – revela um dos criadores mais ousados e vitais ao desdobramento da linguagem artística nesta metade conclusiva do século XX. Criou obras importantes para o desenrolar da música eletrônica, como foi o caso do terceto de cordas geradas por synclavier (1984). Escreveu também uma série de duetos para piano e quinteto de cordas, registrada em The yellow shark (1993).

Atesta ainda a importância de sua obra a regência de peças por Pierre Boulez (1984) e o já mencionado Zubin Metha. Ao lado disto Zappa investigou as infinitas possibilidades de recursos da guitarra elétrica, instrumento que melhor definia a súmula de sua irrequieta criatura – fundamentais as recolhas preparadas por ele mesmo de seus solos de guitarra em Shut up’n play yer guitar (1981) e Guitar (1988). Como exemplo de sua notável incursão em uma satírica fusão de jazz e rock mencionaria o disco One size fits all (1975).

Não há dúvida de que o rock seja uma das expressões mais marcantes deste nosso atônito século. No princípio de sua escalada disse Frank Zappa repudiar "toda prática que possa tender a reduzir o corpo, o intelecto ou o espírito do indivíduo (de qualquer verdadeiro indivíduo) a um estado de subconsciência ou de insensibilidade". Suas expectativas foram cruelmente abortadas. O próprio rock restringiu-se a uma debilidade distorsiva, impregnada de evasivas.

Zappa4.JPG (23069 bytes)Como ele próprio definiu nos anos 70 seu trabalho junto à banda Mothers of invention: "fabricamos uma arte especial em um meio hostil aos sonhadores". Assim encerramos o século: contando com Frank Zappa e seu visceral conceito do absolutamente livre, ao mesmo tempo em que sujeitados aos mais atrozes lugares-comuns da linguagem.

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Escrito por anarquista380 às 03h27
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O que querem os anarquistas?

 

"Anarquia, este sonho de amor e justiça..."

"O Estado é a negação da humanidade!" Mikhail Bakunin

    Em artigo bastante contundente e expressivo, Errico Malatesta, discípulo italiano do russo Bakunin, discorre sobre o que é e o que se deve fazer "Rumo à Anarquia".

    Em primeiro lugar, deve-se desprezar concepções errôneas segundo as quais "anarquia" seria sinônimo de "bagunça". Anarquia é ausência de governo e mesmo de atividade parlamentar; que os agentes políticos devem atuar diretamente em busca de manter e ampliar todas as formas de participação nos aspectos decisórios da sociedade em que vivem. Ação Direta, aliás, é o nome que adotam várias organizações anarquistas pelo mundo afora.

    Diz-nos Malatesta em seus "Escritos Revolucionários" que "Se quiséssemos substituir um governo por outro, isto é, impor nossa vontade aos outros, bastaria, para isso, adquirir a força material indispensável para abater os opressores e colocarmo-nos em seu lugar * Mas, ao contrário, queremos a Anarquia, isto é, uma sociedade fundada sobre o livre e voluntário acordo, na qual ninguém possa impor sua vontade a outrem, onde todos possam fazer como bem entenderem e concorrer voluntariamente para o bem-estar geral. Seu triunfo só poderá ser definitivo quando universalmente os homens não mais quiserem ser comandados ou comandar outras pessoas e tiverem compreendido as vantagens da solidariedade para saber organizar um sistema social no qual não mais haverá qualquer marca de violência ou coação".

    A atividade do anarquista, do socialista utópico (em sua sublime acepção de conquista da Esperança possível) não é violenta nem repentina, mas gradual, pedagógica, passo a passo.

    "Não se trata de chegar à anarquia hoje, amanhã ou em dez séculos, mas caminhar seguramente rumo à anarquia hoje, amanhã e sempre. A anarquia é a abolição do roubo e da opressão do homem pelo homem, quer dizer, abolição da propriedade privada dos meios materiais e espirituais de produção e do governo formal; a anarquia é a destruição da miséria, da superstição e do ódio entre as pessoas. Portanto, cada golpe desferido nas instituições da propriedade privada dos meios de produção e do governo é um passo rumo à anarquia. Cada mentira desvelada, cada parcela de atividade humana subtraída ao controle da autoridade, cada esforço tendendo a elevar a consciência popular e a aumentar o espírito de solidariedade e de iniciativa, assim com a igualar as condições é um passo a mais rumo à anarquia."

    Os surrealistas, que há anos estão unidos aos anarquistas afirmam ainda que cada vez que um casal se une e sua união não é uma fancaria, mas a autêntica expressão do verdadeiro amor entre duas pessoas que se completam plenamente, ocorre mais um abalo no que chamam de "gigantesca caserna" em que se tornou a sociedade industrial. "O ocidente é um acidente!" denuncia Roger Garaudy em "Apelo aos Vivos" com a autoridade de quem sempre esteve nos pontos mais avançados de defesa política e filosófica do que promove o humano no mundo.

    Seguindo com Malatesta: "Não podemos, de pronto, destruir o governo existente, talvez não possamos amanhã impedir que sobre as ruínas do atual governo um outro surja: mas isto não nos impede hoje, assim como não nos impedirá amanhã, de combater não importa que governo, recusando-nos a submetermos à lei sempre que isto seja contrário aos nossos imperativos de consciência. Toda a vez que a autoridade é enfraquecida, toda a vez que uma grande parcela de liberdade é conquistada e não mendigada, é um progresso rumo à anarquia. Da mesma forma, também é um progresso toda a vez que consideramos o governo como um inimigo com o qual nunca se deve fazer trégua, depois de nos termos convencido que a diminuição dos males por ele engendrados só é possível pela redução de suas atribuições e de sua força, não pelo aumento no número de governantes ou pelo fato de serem eles eleitos pelos governados. E por governo entendemos todo o indivíduo ou grupo de indivíduos, no Estado, Conselhos etc. que tenha o direito de fazer impor leis injustas sobre quem com elas não concorda".

    Contundente e radical, repita-se, Malatesta e toda a tradição anarquista que lhe segue proporá a chegada a um governo auto-gestionário, do qual todos possam participar livremente. Um sistema auto-gestionário que possibilite participar livre e alegremente de todo o processo decisório e de execução do que terá sido decidido coletivamente, para que se chegue ao maior aperfeiçoamento social promotor do humano no mundo. Toda a vitória, por menor que seja, dos trabalhadores sobre as classes patronais, todo o esforço contra a exploração do homem pelo homem, toda a parcela de riqueza subtraída aos proprietários e posta à disposição daqueles que a geraram, toda a união amorosa plena entre duas pessoas que se amam intensa e sinceramente, tudo o que se fizer para melhorar as condições existenciais da maioria enfim, será mais um progresso, mais um passo rumo à anarquia, "este sonho de justiça e de amor entre os homens..."

 

Escrito por anarquista380 às 03h11
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